Category: Política

Marketing não é só para empresas privadas (4)

Por Antonio Pedro, 14 de outubro de 2009 8:49

Rio_2016

Como no post que fiz sobre as Olimpíadas de Londres, a campanha do Rio 2016 foi bastante bem sucedida porque soube utilizar estratégias de marketing para ganhar a indicação. Nas tentativas anteriores, a cidade carioca havia competido de forma amadora, sem preparar argumentos fortes que convencessem os membros do COI (Comitê Olímpico Internacional).

Desta vez, porém, o comitê organizador do Rio 2016 foi buscar pessoas de peso, como o norte-americano Scott Givens, ex-alto executivo da Disney. Ele já havia trabalhado para outras campanhas que foram vitoriosas na indicação para as Olimpíadas, entre elas a de Atlanta em 1996. Givens foi uma peça-chave para montar a apresentação do Rio, tanto o discurso quanto os gráficos e filmes. Outro ator importante foi Fernando Meirelles, que por meio da sua produtora O2, preparou os filmes utilizados durante os discursos, que tinham o objetivo de emocionar a platéia e conquistar seu apoio.

Uma sacada importante e decisiva do comitê organizador foi focar no segundo voto dos representantes do COI. A hipótese era que eles já chegariam ao evento com seu voto definido. Logo, faria sentido conquistar sua segunda opção. Dessa forma, a apresentação, os argumentos e os efeitos gráficos seriam cruciais para atingir este objetivo.

mapa_Rio_2016

Mapa utilizado para reforçar o argumento que a América do Sul nunca havia recebido as Olimpíadas

Durante a apresentação do Rio, somente pessoas de peso falaram, das três esferas do poder executivo (presidente, governador e prefeito), além do presidente do BC e esportistas. Mas somente isso não bastaria, uma vez que as demais cidades também levaram seus representantes mais importantes.

O que fez a diferença foi a argumentação brasileira, calcada em diversos fatores:

  • Solidez da economia brasileira
  • Oportunidade de negócios, mercado publicitário importante
  • Expansão das Olimpíadas para um novo continente
  • Fato do Brasil ser a única economia entre as dez maiores a nunca ter sediado os jogos
  • Receptividade e alegria do povo brasileiro e, em especial, dos cariocas
  • Legado dos jogos para a juventude

Assim, como uma argumentação muito bem estruturada e vídeos emotivos e impecáveis, o Rio conseguiu finalmente conquistar o direito de sediar as tão sonhadas Olimpíadas. Quem sabe essa não seja uma oportunidade de endireitar finalmente a cidade carioca, que após deixar de ser a capital brasileira, nunca mais se encontrou. Não vai ser fácil e nem milagres acontecem, mas pode ser um ponto de inflexão, um começo no trabalho árduo para reverter anos de degradação.

Veja os vídeos usados durante a apresentação:

1) Vídeo Institucional da cidade

2) Vídeo sobre a receptividade do Rio

3) Vídeo do plano da cidade (masterplan) para as Olimpíadas

Marketing não é só para empresas privadas (1)

Por Antonio Pedro, 16 de junho de 2009 23:04

London2012

Divulgar bem uma mensagem, captar a atenção da audiência, escolher acertadamente atributos a serem explorados, entre outros, são ferramentas do mix de marketing que são aplicadas a qualquer tipo de produto que se deseje oferecer a um público-alvo.

A campanha vencedora de Londres para as Olimpíadas de 2012 é um exemplo bem-sucedido que mostra que marketing é para todo o tipo de empresa, organização governamental, escolas ou companhias de teatro e não exclusivamente para companhias privadas. O comitê organizador tinha o desafio de mostar Londres como a cidade mais bem preparada para receber os jogos olímpicos, competindo com outros concorrentes igualmente de porte, como Nova York, Madrid, Moscou e Paris.

Na primeira fase de seleção, a cidade britânica ficou em terceiro lugar na classificação, perdendo para Paris (1º) e Madrid (2º). No entanto, na rodada final, quando só restou a cidade francesa e Londres, os ingleses levaram a melhor, ganhando o direito de sediar os jogos olímpicos.

Um dos fatores que fizeram com que o COI (Comitê Olímpico Internacional) escolhesse a capital do Reino Unido foi sua campanha bem estruturada, mostrando a capacidade da cidade de receber um evento esportivo de grande porte e também envolvendo emocionalmente o público com um comercial muito bem produzido.

Trata-se de um vídeo no qual uma corredora percorre as ruas de Londres mostrando suas atrações turísticas, bem como as instalações da cidade, sua estrutura, segurança, entre outros. Ela cruza a todo momento personalidades britânicas que foram os embaixadores da campanha, como David Beckham e Roger Moore, em situações cotidianas; mas também cruza com pessoas comuns, inspirando-as a praticar esportes. A mensagem foi muito bem escolhida, assim como a canção de Heather Small – Proud, que serviu de trilha sonora – mostrando que os ingleses podem se sentir orgulhosos de sua cidade e da prática de esportes.

heather_small
Heather Small

Não é à toa que a campanha de Londres 2012 tinha um diretor de marketing (David Magliano), o que mostra que eles estavam bem preparados para vender sua idéia e explorar os conceitos mercadológicos, mesmo não vendendo produtos de consumo.

Confira o vídeo:
Vídeo Promocional Londres 2012

Bloqueio de Telemarketing

Por Antonio Pedro, 5 de abril de 2009 1:55

proconAté parece mentira, mas desde o dia 1º de abril os paulistas já podem bloquear ligações de telemarketing cadastrando-se no site do PROCON-SP. Até cinco números de telefone podem ser listados, acabando com aquelas ligações no sábado ou domingo de manhã para venda de serviços ou produtos.

Esta resposta do poder público vai de encontra à revolta da população contra os abusos que o telemarketing vem fazendo ao longo dos anos. Trata-se de mais um capítulo após a entrada em vigor (em dezembro de 2008) das novas regras para o setor, como atendimento em até um minuto, cancelamento automático, opção de falar com atendente no primeiro menu, entre outros.

telemarketing

Ou seja, foi um duro golpe ao telemarketing e à estratégia de venda das empresas que utilizam este tipo de serviço. Será necessário, a partir de agora, repensar as ações de marketing para atração e, principalmente, retenção de clientes. Isso não ocorria porque o telemarketing ativo conseguia aumentar o número de clientes (mesmo com métodos discutíveis) e o cancelamento era muito difícil de se concretizar.

Então, vamos fazer a nossa parte: não gostou do atendimento? Cancela! Não gostou do serviço ou do produto? Cancela! Não quer receber ligações inconvenientes na sua casa? Bloqueia! Não aguenta ouvir aquele blábláblá chato das atendentes de telemarketing? Bloqueia!

Em suma, o cliente terá que ser muito mais considerado e valorizado pelas empresas que usam telemarketing. Estas, por sua vez, terão que encontrar novas formas de vender seus produtos e serviços, de forma menos invasiva e mais inteligente.

Para cadastrar seus números de telefone, clique no endereço abaixo:

Bloqueio do Recebimento de Ligações de Telemarketing

Nota: infelizmente as novas regras e o bloqueio não valem para as instituições filantrópicas. Nada contra estas instituições (aliás, já contribuí com algumas delas), mas acho que a estratégia para angariar recursos por meio do telefone é completamente equivocada. Acaba irritando o cliente, ainda mais quando a atendente dispara a falar sem parar e tenta deixar o interlocutor com remorso por não ajudar uma causa tão nobre.

Que vergonha

Por Antonio Pedro, 18 de março de 2009 0:02

vergonha

Nosso país às vezes nos envergonha mesmo. Os recentes escândalos do Senado Federal mostram que o Brasil é gerenciado por um bando de aproveitadores que só estão interessados em mamar no dinheiro público (seu, meu e de todo mundo).

Para se ter uma idéia do absurdo, o distinto Presidente do Senado (ou nobre colega, como eles preferem se tratar, mesmo que de nobre não tenham nada), José Sarney, pediu que todos os diretores da casa renunciassem aos cargos. Até aí, tudo bem, só que quantos diretores eram mesmo? Ninguém sabia! Nem o Sarney nem o faxineiro do prédio.

Parece brincadeira… que empresa privada, por exemplo, não sabe quem são seus diretores? É muita falta de organização. Ok, contaram tudo e chegaram a mais de 180 diretores! É isso mesmo, mais de 180! E pior ainda, cada um ganhando mais de R$ 20.000, sem contar horas extras. Mas ainda não acabou. Segundo reportagem da GloboNews, tem diretor para tudo, até um que é responsável pelas viagens dos senadores, despacho de malas etc., carinhosamente chamado de “Diretor de Check-in”. Como diria o Simão, o Brasil é o país da piada pronta!

E o Sarney disse que vai cortar pela metade o número diretores. Ora convenhamos, ainda é um absurdo! Nenhuma empresa séria com a quantidade de empregados do Senado teria tamanha quantidade de diretores. É simplesmente enfiar a mão com gosto no dinheiro público e se esbaldar.

Pelo menos agora irão contratar a FGV para fazer uma reforma administrativa. Porém, o que deveria ser reformado eram os senadores, para acabar com esta pouca vergonha.

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