Category: Marketing

I’m sorry – marketing verde

Por Antonio Pedro, 4 de janeiro de 2010 23:44

Magistral a campanha da ONG tcktcktck e do Greenpeace durante a última Conferência Climática da ONU em Copenhague, na Dinamarca.

Nela, são mostrados alguns líderes mundiais (inclusive o nosso presidente) com a cara que teriam em 2020, com o objetivo de chamar a atenção da população para a necessidade de se agir agora com relação aos problemas ambientais e não deixar para depois.

A frase da campanha é bastante contundente: “I’m sorry. We could have stopped catastrophic climate change… we didn’t” (Sinto muito, nós poderíamos ter parado a mudança catastrófica no clima… mas não o fizemos).

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Um hotel diferente

Por Antonio Pedro, 4 de janeiro de 2010 22:32

Recentemente, em uma das minhas viagens para o México, fiquei hospedado num hotel chamado W. Até aí, nada de mais, se não fosse pelo estilo e pela consistência no posicionamento da marca.

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Hall do W no México (recepção no fundo e bar à direita)

A primeira impressão é bastante positiva quando se entra no hall do hotel. Não há qualquer semelhança com um estabelecimento comum: nada de mármore ou sofás grandiosos; aliás, muito pelo contrário, o ambiente é moderno, colorido, cheio de design e totalmente fora do padrão.

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Chamam atenção as cores fortes das paredes (como o vermelho, amarelo e preto), as esculturas espalhadas pelas salas, além de diversos outros detalhes que completam e identificam o hotel, exatamente como a empresa gostaria que os consumidores o percebessem: um hotel de boutique. Alguns destes detalhes são realmente impressionantes e ajudam a diferenciá-lo:

- Som com porta iPod: qual hotel oferece este mimo para seus clientes? Além disso, caso você tenha esquecido o seu e quiser fazer ginástica, existe um serviço de empréstimo de aparelhos.

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- Banheiro com vista e rede: esta para mim foi uma das maiores surpresas quando cheguei no quarto.

- Comida: o restaurante tem pratos bastante elaborados, como um ceviche (prato típico peruano), mas com um tom mexicano, com pimentão e cebola, servido num copo. Algo bastante inusitado.

- Música personalizada: como não poderia faltar, a música do hotel também é moderna e jovem, focada no eletrônico e na house music, complementando o ambiente.

- Champanhe com doces: à noite, quando voltei para o quarto, havia duas garrafas de champanhe e alguns doces, juntamente com um cartão. Nele, estava escrito algo do gênero: “obrigado por voltar a se hospedar conosco”. Esta realmente me surpreendeu! A única coisa é que eles se enganaram de quarto, já que eu nunca havia estado antes lá. De qualquer maneira, foi uma forma extremamente criativa de mostrar respeito pelo cliente.

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- Águas artesanais: no quarto, é possível tomar água Voss, do aquífero da Noruega, ou a Fiji, pura e artesanal.

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quarto_portaApesar de haver inúmeros pontos positivos, o W peca um pouco pelo exagero no design, deixando a desejar na funcionalidade muitas vezes. Explico-me: as poltronas, por exemplo, parecem saídas de um concurso de arquitetura, mas são desconfortáveis. Além disso, as cores fortes acabam cansando um pouco a vista, principalmente pela grande quantidade de vermelho no ambiente. Finalmente, o banheiro é moderno demais, com pia e vaso separados, além de não haver qualquer cortina ou coisa que o valha para separar o box do restante do ambiente.

Em suma, o W é um hotel extremamente inovador e moderno, consistente com o posicionamento da sua marca, passando sua mensagem de todas as formas possíveis para o cliente, seja na decoração do seu restaurante, no atendimento dos funcionários, nos produtos vendidos, na música, comida ou até no cartão de não perturbe, que traz escrito: “When? Not quite yet” (Quando? Ainda não).

Marketing e design… até no chá!

Por Antonio Pedro, 2 de dezembro de 2009 3:17

tea_forte_infusor
A Tea Forté, companhia americana fundada em 2003, conseguiu inovar e agregar valor a um produto que poderia ser visto como uma commodity: o chá.

Utilizando conceitos de marketing e vendendo produtos com design apurado, a empresa conseguiu se diferenciar dos concorrentes e abrir espaço para incrementar o valor da categoria, oferecendo produtos com valor agregado mais alto.

Um dos produtos oferecidos é o infusor de chá em formato de pirâmide, com as folhas dentro de uma rede fina, facilitando muito a imersão na xícara. Nunca vi nada igual! É um excelente produto, bastante inusitado e que é um prato cheio para os amantes de chá.

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O fundador e presidente da empresa, Peter Hewitt, define seus produtos como uma experiência única, extraordiária, com o objetivo de capturar a “Arte do Chá”. Acredito realmente que ele tenha conseguido esta façanha.

Os produtos da Tea Forté estão disponíveis em vários restaurantes, spas, hotéis e alguns supermercados ao redor do mundo, mas ainda não no Brasil.

Outro produto realmente inovador é a garrafa para chá gelado inventada pela empresa. Acaba tornando a experiência em um próprio entretenimento:

ice_tea

Na foto acima, estão descritos os passos para se fazer o chá gelado:
- Primeiro, coloque água fervente no infusor.
- Depois, aguarde de dois a três minutos antes de derramar sobre o gelo.

Uma idéia muito interessante e simples, além de extremamente inovadora!

Em suma, a Tea Forté se destacou dos concorrentes por meio do design e do marketing, mesmo vendendo um produto massificado, como o chá.

Vitrines de restaurante

Por Antonio Pedro, 16 de novembro de 2009 22:57

Chamar a atenção de clientes para que eles parem e entrem num estabelecimento é o objetivo de qualquer comerciante. Uma das formas de fazê-lo é ter uma vitrine atrativa e bem arrumada, saindo da mesmice que se encontra geralmente.

No Japão, os donos de restaurante adotaram uma prática interessante para conseguir mais clientes. Passaram a colocar imitações de plástico de seus pratos nas vitrines para atrair pessoas para dentro da loja. É uma verdadeira arte, com réplicas que parecem verdadeiras e que dão uma idéia de como é o cardápio oferecido pelo restaurante.

Quando estive no Japão, em 2007, tirei algumas fotos destas vitrines, que mostro abaixo:

vitrine1vitrine2

Vejam também a reportagem da TV UOL sobre o tema:

Marketing não é só para empresas privadas (4)

Por Antonio Pedro, 14 de outubro de 2009 8:49

Rio_2016

Como no post que fiz sobre as Olimpíadas de Londres, a campanha do Rio 2016 foi bastante bem sucedida porque soube utilizar estratégias de marketing para ganhar a indicação. Nas tentativas anteriores, a cidade carioca havia competido de forma amadora, sem preparar argumentos fortes que convencessem os membros do COI (Comitê Olímpico Internacional).

Desta vez, porém, o comitê organizador do Rio 2016 foi buscar pessoas de peso, como o norte-americano Scott Givens, ex-alto executivo da Disney. Ele já havia trabalhado para outras campanhas que foram vitoriosas na indicação para as Olimpíadas, entre elas a de Atlanta em 1996. Givens foi uma peça-chave para montar a apresentação do Rio, tanto o discurso quanto os gráficos e filmes. Outro ator importante foi Fernando Meirelles, que por meio da sua produtora O2, preparou os filmes utilizados durante os discursos, que tinham o objetivo de emocionar a platéia e conquistar seu apoio.

Uma sacada importante e decisiva do comitê organizador foi focar no segundo voto dos representantes do COI. A hipótese era que eles já chegariam ao evento com seu voto definido. Logo, faria sentido conquistar sua segunda opção. Dessa forma, a apresentação, os argumentos e os efeitos gráficos seriam cruciais para atingir este objetivo.

mapa_Rio_2016

Mapa utilizado para reforçar o argumento que a América do Sul nunca havia recebido as Olimpíadas

Durante a apresentação do Rio, somente pessoas de peso falaram, das três esferas do poder executivo (presidente, governador e prefeito), além do presidente do BC e esportistas. Mas somente isso não bastaria, uma vez que as demais cidades também levaram seus representantes mais importantes.

O que fez a diferença foi a argumentação brasileira, calcada em diversos fatores:

  • Solidez da economia brasileira
  • Oportunidade de negócios, mercado publicitário importante
  • Expansão das Olimpíadas para um novo continente
  • Fato do Brasil ser a única economia entre as dez maiores a nunca ter sediado os jogos
  • Receptividade e alegria do povo brasileiro e, em especial, dos cariocas
  • Legado dos jogos para a juventude

Assim, como uma argumentação muito bem estruturada e vídeos emotivos e impecáveis, o Rio conseguiu finalmente conquistar o direito de sediar as tão sonhadas Olimpíadas. Quem sabe essa não seja uma oportunidade de endireitar finalmente a cidade carioca, que após deixar de ser a capital brasileira, nunca mais se encontrou. Não vai ser fácil e nem milagres acontecem, mas pode ser um ponto de inflexão, um começo no trabalho árduo para reverter anos de degradação.

Veja os vídeos usados durante a apresentação:

1) Vídeo Institucional da cidade

2) Vídeo sobre a receptividade do Rio

3) Vídeo do plano da cidade (masterplan) para as Olimpíadas

Futuro: visão da HP

Por Antonio Pedro, 18 de agosto de 2009 1:03

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Bastante inteligente e bem-humorado o comercial que a HP fez na Inglaterra para o seu novo e inovador computador: o HP Touch Smart, que é sensível ao toque dos dedos na tela.

O slogan em inglês também foi bem pensado: “The Computer is Personal Again” (O computador é pessoal de novo).

Quem me dera a vida real fosse assim!

Marketing não é só para empresas privadas (3)

Por Antonio Pedro, 5 de agosto de 2009 1:09

dirty_water

A UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) criou uma campanha de conscientização bastante interessante e inusitada, com o objetivo de chamar a atenção da mídia e também para arrecadar fundos.
Em Nova York, resolveram colocar uma vending machine para vender água num local de grande movimento. Até aqui, sem grandes novidades, se não fosse pelo produto oferecido: água suja. As opções de compra para o consumidor eram as seguintes: malária, dengue, cólera, tifóide, hepatite, desinteria, salmonela e febre amarela.

A idéia da UNICEF era chamar a atenção das pessoas para um problema grave que ocorre principalmente em países em desenvolvimento: a morte de crianças menores de cinco anos por ingestão de água contaminada (segunda maior causa de mortes em crianças desta idade).

tap_projectA campanha foi tão inusitada que gerou publicidade positiva em diversos meios de comunicação, como jornais, blogs, TVs e rádios. A divulgação ajudou a aumentar o conhecimento do Tap Project, programa lançado pela UNICEF em 2007 em Nova York.

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A idéia do projeto é estimular os norte-americanos a doarem US$ 1,00 em restaurantes pela água que tomam de graça (nos EUA é prática comum tomar água da torneira em restaurantes). Segundo a UNICEF, este valor é suficiente para que uma criança tenha água potável por 40 dias.

Mais uma vez, mostrou-se que uma boa estratégia de marketing pode ser aplicada em qualquer tipo de negócio ou mercado. A divulgação da UNICEF foi bastante inovadora, usando uma linguagem simples e direta. Além disso, também foi inteligente ao utilizar uma vending machine para chamar a atenção do público em geral, uma vez que todos nós consumimos água, refrigerante e sucos nestas máquinas e pagamos um valor baixo por estas bebidas, o que se torna um argumento forte para conseguir doações.

Confira o vídeo da ação em Nova York:

Comunicação bem-humorada

Por Antonio Pedro, 31 de julho de 2009 1:17

O uso de humor em propagandas e no posicionamento de um produto é um recurso muitas vezes utilizado por empresas para chamar a atenção do público-alvo de uma forma divertida. Porém, deve ser considerado com cuidado, uma vez que pode acabar se mostrando ofensivo para algumas pessoas ou de mal gosto.

Além disso, determinados produtos ou serviços dificilmente podem se valer de humor, ainda mais quando pretendem passar uma imagem de tradição, seriedade e confiança. Para um hospital que é referência no tratamento de câncer, por exemplo, seria muito arriscado – ou indelicado – passar uma comunicação por meio de mensagens divertidas. O que se espera, neste caso, é um posicionamento sóbrio, sisudo, no qual se pode confiar plenamente.

delta_lloydPorém, em alguns casos, mesmo que o produto ou serviço deva inspirar a confiança dos consumidores, pode-se adotar uma mensagem mais descontraída. Esta foi a idéia do Delta Lloyd Groep, grupo financeiro holandês com atuação nos Países Baixos, Alemanha e Bélgica.

zeker_delta_lloydA divisão de seguros da empresa tinha como desafio vender seus serviços, muitas vezes pouco atrativos para os clientes. Isso porque não é muito fácil convencer uma pessoa a comprar uma apólice para um possível problema que poderá ocorrer no futuro. Para carros, por exemplo, esta prática é mais comum, já que estamos conscientes do risco de roubo e batidas. Porém, para outros tipos de seguros, como contra incêndio, de vida etc., não nos convencemos da sua utilidade, já que não consideramos seu risco elevado.

Portanto, para chamar a atenção dos consumidores, a Delta Lloyd decidiu fazer uma série de comerciais bem-humorados para vender seus serviços, explorando o risco de uma maneira inusitada. Foi uma forma inteligente de passar a mensagem, saindo da mesmice e sem uma fala chata e insossa.

Confira alguns comerciais:

Marketing não é só para empresas privadas (2)

Por Antonio Pedro, 13 de julho de 2009 1:22

logo_johannesburg

A cidade de Johannesburg fez um trabalho bastante interessante de branding em conjunto com a consultoria Interbrand para construir uma identidade única.

Uma das ações foi pesquisar a forma como as pessoas se identificavam com a cidade, que era chamada carinhosamente como “Joburg”. Esta identificação acabou sendo escolhida para o logo oficial de Johannesburg, com o objetivo de identificar seus serviços públicos, eventos e publicações. O logo é bastante jovial e atual, modernizando a imagem da cidade perante seus habitantes. A forma profissional como foi feito o trabalho de identidade de marca serve de inspiração para nossas cidades brasileiras.

PMSPEm São Paulo, por outro lado, diferente do que ocorreu na cidade sul-africana, é comum haver troca de logos a cada uma das administrações que passam por aqui. Existe, é claro, o símbolo oficial da Prefeitura de São Paulo (mostrado ao lado) – que havia sido esquecido e que agora voltou a ser usado – porém, não há um logo mais moderno e que pudesse identificar ações da prefeitura, principalmente em eventos culturais e de grande visibilidade.

s__o_paulo_450_anosA única vez que foi feita uma iniciativa neste sentido foi quando houve a comemoração dos 450 anos da cidade de São Paulo, em 2004. Naquele ano, criou-se um logo que foi largamente utilizado e divulgado. Porém, como se tratava obviamente de uma comemoração pontual, foi devidamente descartado após o final da festa.

Seria interessante, portanto, assim como foi feito como foi feita a escolha do apelido “Joburg”, escolher o nome “Sampa” para identificar São Paulo, o que ganharia a simpatia dos paulistanos. Tanto o símbolo oficial (o brasão da prefeitura), quanto o logo, poderiam conviver harmonicamente. O oficial poderia continuar a ser usado em publicações, nos ônibus, editais, no Diário Oficial do Município e assim por diante. Já o logo “Sampa” poderia ser usado nos eventos, comerciais de TV, folhetos etc., fazendo toda a comunicação mais direta com a população.

Esta seria uma forma de divulgar São Paulo no Brasil e no exterior, renovar sua marca, ganhar a simpatia e recobrar o orgulho de seus habitantes. No entanto, o novo logo não poderia durar só até as próximas eleições.

Campanha do Kia Picanto: escolha correta de atributo

Por Antonio Pedro, 30 de junho de 2009 1:27

Para ser justo com a Kia, o novo comercial do Kia Picanto que está no ar mostra que a escolha do atributo de destaque do produto (no caso, o carro), foi bem escolhida e explorada.

No comercial, um motorista entra no posto-de-gasolina para completar o tanque, sendo surpreendido pelo frentista que lhe entrega todo o tipo de peças que seu carro não possui. É uma brincadeira inteligente para mostrar que o Kia Picanto é um carro compacto com muito mais tecnologia e portanto “completo”, do que seus concorrentes.

Dessa forma, a Kia conseguiu passar seu posicionamento diferenciando seu produto dos demais. Finalmente, o slogan também foi muito bem escolhido, o que resume bem a mensagem: “Novo Kia Picanto: completão”.

Confiram:

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