
Hoje o Banco Central decidiu, por unanimidade, baixar a taxa de juros SELIC par em um ponto percentual, para 10,25% ao ano. É a menor taxa desde 1999.
Com esta mudança, perdemos o posto de campeão dos juros altos no mundo. Sim, é verdade, PERDEMOS! Pode comemorar, gritar e dizer pra todo mundo: PERDEMOS, PERDEMOS! Depois de muito tempo, o Brasil começa a convergir suas taxas para um nível mais civilizado, mais próximo da média internacional. Nossa política monetária era uma aberração, herança dos anos de inflação, da era FHC e corroborado pela era Lula.
Mas não podemos comemorar muito ainda. Nossas taxas só deixaram de ser estratosféricas, mas seguem altas. Devemos ficar de olho no COPOM e continuar cobrando. Por hora, comemoremos!
Hoje o nosso ilustríssimo presidente do BC parece que finalmente colocou os óculos (não os que ele usa para ler, mas sim os de enxergar a realidade). Num evento promovido pela FGV, comentou que é importante ter juros mais baixos no futuro para sustentar um crescimento maior da economia.
É bom dizer que esta fala é uma baita evolução para um BC ortodoxo como o de Meirelles. Posso dizer que começo a acreditar que finalmente o Brasil vai deixar de ser o campeão dos juros altos e, quem sabe, irá começar a se aproximar de taxas civilizadas, próximas a média mundial?
Só o tempo dirá e vamos ficar de olho na próxima reuinião do COPOM!

Muito interessante a análise do UOL Tablóide sobre o jogo Banco Imobiliário, comparando-o com o mercado financeiro e a situação de crise que estamos vivendo.
Acessem no link abaixo:
Banco Imobiliário, o jogo que tinha a crise dentro de si
O editor do tablóide comenta sobre as ações inconsequentes do jogo, bastante espelhadas na realidade, como tomar empréstimos e contrair dívidas o máximo possível, até falir todos os concorrentes. Vale a pena ler.
O COPOM na sua primeira reunião do ano, na última quarta-feira, decidiu baixar a taxa SELIC em um ponto percentual, de 13,75% ao ano para 12,75%. Foi uma decisão correta e com um percentual maior do que o mercado esperava, o que mostrou que o BC havia errado na sua última decisão, quando tinha deixado a taxa inalterada.
Apesar de ter sido positiva a rebaixa nos juros, o Brasil ainda conta com o primeiro lugar no ranking mundial de juros reais (descontando-se a inflação prevista para os próximos 12 meses), ficando com folga acima do segundo colocado:
Rank dos Juros Reais
1º Brasil 7,6%
2º Hungria 5,8%
3º Argentina 5,1%
4º China 2,8%
5º Austrália 2,7%
6º Turquia 2,7%
7º Tailândia 2,3%
8º Colômbia 1,9%
9º Polônia 1,6%
10º Portugal 1,2%
Fonte: Up Trend Consultoria
Portanto, apesar de haver uma boa perspectiva para juros menores, o BC deveria continuar a fazer cortes expressivos – de ao menos um ponto percentual – nas próximas reuniões para finalmente trazer as nossas taxas para patamares mais razoáveis e menos esdrúxulos.
No atual cenário, nós somos um dos poucos países que temos gordura para queimar na política monetária, o que será extremamente necessário em tempos de demissões e retração da demanda.
Continuando com minhas homenagens ao BC, Meirelles, Lula e cia, publico abaixo a charge do Glauco que saiu hoje na Folha e que sintetiza tudo:
Pela Internet tem circulado um email com mudanças nos logos das corporações após a crise de 2008. Alguns são bastante engraçados, vejam abaixo:

A edição de novembro da Exame faz um reportagem interessante sobre os analistas financeiros. Afinal, para que eles servem mesmo?
Se você pegar as previsões deles para 2008 no início do ano, as do Walter Mercado e as da Mãe Diná, provavelmente os dois místicos tenham acertado mais.
Não se pode, portanto, confiar totalmente no que é falado pelos analistas porque sempre há algum interesse por trás de cada previsão ou recomendação de compra/venda. Afinal, eles são pagos por bancos que também têm interesses em divulgar determinadas análises (favoráveis ou desfavoráveis, catastróficas ou positivas).
Achei conveniente, neste momento, comentar uma frase de Erasmo de Rotterdam (1469-1536), holandês que escreveu um clássico chamado “Elogio da Loucura”:
“A verdadeira prudência consiste, já que somos humanos, em não querer ser mais sábios do que nossa natureza o permite”.
Na época, Erasmo estava se referindo aos filósofos e teólogos que buscavam uma única verdade irrefutável, não se dando conta que a realidade é muito mais dinâmica e complexa. Como todo clássico, o autor continua extremamente atual e suas reflexões servem de exemplo para nossos analistas financeiros.
Peguei a imagem do Everest acima em homenagem ao nosso BC que mantém nossa taxa de juros como a mais alta do mundo. Enquanto o FED americano baixa sua taxa para zero, nós continuamos respirando o ar rarefeito.