Category: Branding

como queimar o filme da sua marca – parte II

Por , 13 de maio de 2013 20:33

Mercedes-Concept-A-Class-exterior-front-logoDepois do meu post sobre a campanha publicitária desastrosa da Gillette com o rapper Psy, acabo me deparando com outro exemplo de como queimar o filme de uma marca estabelecida.

A Mercedes Benz resolveu traçar o mesmo caminho da Gillette, colocando em risco anos de reputação e o bem maior  de qualquer companhia (ainda mais de bens de consumo): o brand equity. Na propaganda de lançamento do novo Classe A, os alemães resolveram ter uma ideia brilhante (ao menos para eles) com o intuito de popularizar o apelo do carro, uma vez que se trata do modelo de entrada da montadora. Na propaganda, usaram um funk carioca (“Passinho do Volante”) que tem como letra “profunda” uma repetição de vogais e frases com os dizeres: “Aaaaaaaaah lelek lek lek lek lek lek lek lek lek lek” e “girando, girando, girando para o lado, girando girando, girando pro outro”. Durante o filme, o Classe A faz giros constantes na chuva sem derrapar. A ideia era mostrar que o carro ficaria sob controle mesmo no “passinho do volante”, por ter uma tecnologia superior de freio e controle do automóvel.

Esta abordagem da Mercedes é bastante problemática e nociva para seu posicionamento de marca. Mesmo em se tratando de um modelo mais barato do que normalmente se paga em carros da montadora alemã, o novo Classe A não sai por menos do que R$ 99.000. Obviamente, portanto, está focado na classe social homônima ao nome do carro. Esta primeira constatação, bastante óbvia, já seria suficiente para que os alemães pensassem duas vezes antes de escolher como trilha sonora um funk carioca. Nada contra o estilo musical (que poderia ser adequado em outras situações e usado para venda de outros tipos de produto), mas seu uso inapropriado e associado a uma marca de prestígio pode trazer danos consideráveis. Foi este o caso da Mercedes. Quantas pessoas das classes mais abastadas ouvem funk carioca? Quantas delas gostariam que este tipo de música fosse associado à marca Mercedes? Ao que tudo indica, a montadora não se preocupou em avaliar ou a pesquisar a reposta à estas perguntas. A não ser que você seja do Rio de Janeiro, o que aumenta a probabilidade de gostar de funk carioca, não importando a classe social, a escolha deste estilo musical depõe contra a campanha publicitária e, principalmente, a marca Mercedes. Mesmo com mais de dois milhões de visualizações no Youtube, não se pode dizer que o vídeo foi bem sucedido. Uma demonstração disto está na quantidade de pessoas que o avaliaram positiva e negativamente. Praticamente metade dos internautas perceberam o comercial de forma não favorável.

A questão de escolha de uma música para representar o posicionamento de uma marca não é mera perfumaria. Quando se trata de passar a mensagem para o consumidor, todos os sentidos são importantes (tato, olfato, paladar, visão e audição) e, ainda mais importante, a emoção que cada um deles reflete na cabeça das pessoas. A Mercedes Benz passou anos, e com bastante sucesso, incutindo uma imagem de solidez, sofisticação, estilo, exclusividade e tantos outros atributos ligados à sua marca. É temerário, portanto, que tenha danificado sua imagem ao fazer uma escolha errada de trilha sonora para um de seus modelos. A emoção e a percepção que a música “Passinho do Volante” passa com certeza não está associada aos atributos que fazem parte da marca Mercedes.

Parece que a sina do Classe A é errar em suas propagandas. Quando foi lançado pela primeira vez no Brasil, em1999, foi colocado no ar uma peça publicitária bastante polêmica na época. O vídeo mostrava a trajetória de um jovem que tinha interação com a marca Mercedes apenas de forma marginal, ou seja, por meio de fotos, andando de caminhão, ônibus ou, pasmem!, casando-se com uma mulher chamada Mercedes. Também de gosto duvidoso, este comercial gerou muita publicidade negativa em torno da marca, como se ela dissesse: “Finalmente você pé-rapado pode comprar um Mercedes. Aproveite: é agora ou nunca!”

Assim como no caso da Gillette, descuidar-se da marca e deturpar seu posicionamento podem custar muito caro. Como comentei, o brand equity é o ativo maior de qualquer empresa e mensagens erradas podem diminuí-lo ou até estragá-lo. Parece que a Mercedes está se esforçando para chegar neste resultado.

Em tempo, o comercial do Classe A no exterior não tem relação nem de longe com o brasileiro. É consistente com a marca, passa a mensagem com maestria e é coerente com o posicionamento do modelo, de modernidade e robustez, mas sem ferir os atributos da Mercedes. Tudo no vídeo está correto: visual e atitude do ator escolhido, música, tomadas de cena, roteiro… Parece que o problema foi por aqui. Será que os alemães não andam sintonizando as TVs brasileiras?

Ainda em tempo, pode ser que a burrada da Mercedes tenha sido percebida, mesmo que o estrago já tenha sido feito. No site do Classe A está o link para outro vídeo, desta vez dentro do posicionamento da marca, inclusive com um slogan mais inteligente “Seus olhos não brilham assim”. Com certeza fica a lição para a Mercedes: mais cuidado ao aprovar peças publicitárias.

como queimar o filme da sua marca

Por , 13 de fevereiro de 2013 23:47

Gerenciar marcas e fazer com que permaneçam ativas, fortes e consistentes é dever de qualquer profissional de marketing. Acima de tudo, também é fator estratégico e essencial para qualquer empresa, devendo estar nas prioridades dos mais altos executivos, e não apenas da área de marketing.

Não é o que aconteceu recentemente com a Gillette. A marca conseguiu queimar seu filme com o público masculino de forma geral. Sua última campanha tinha como objetivo aumentar as vendas dos seus aparelhos de barbear, mas o tiro (ou melhor, a raspada) foi pela culatra.

Na propaganda, as gêmeas do nado sincronizado e Sabrina Sato estão na praia conversando sobre homens que têm peito cabeludo, claramente demonstrando sua insatisfação. Tem a ideia, “brilhante”, de chamar Psy, o rapper coreano de Gangnam Style, para ajudá-las na tarefa. Ao final, ficam ao lado de um jovem magrelo e com cara de sonso (para não dizer de idiota) que tem seu peito depilado. Tudo para mostrar o quanto é melhor não ter pêlos (e usar os produtos da Gillette, claro).


 

A propaganda é de um mau gosto só, além de, na tentativa de ridicularizar, acabou se tornando ridícula. O feitiço virou contra o feiticeiro. A Gillette demonstrou, assim, um problema grave na análise de seu público-alvo e na forma de se comunicar com ele.

A ideia de querer aumentar o consumo de aparelhos de barbear e de depilação é legítima e, com certeza, está nos objetivos de marketing de qualquer gerente de produto ou do próprio presidente da P&G, detentora da marca Gillette. A forma de fazê-lo, porém, conta muito e o cuidado para não estragar a marca, bem maior de qualquer empresa, deve estar acima de qualquer objetivo de curto prazo ou de qualquer tentativa desastrada.

Não foi exatamente o que aconteceu no caso da campanha da Gillette. Na realidade, a empresa já vinha com outro comercial na mesma linha, no qual mostrava um homem das cavernas que não se barbeava. Mesmo sendo outra propaganda de gosto discutível, era menos agressiva e, talvez, fosse voltada para um público que procura realmente se depilar ou para o mercado homossexual. No Youtube, no entanto,esta campanha também não foi bem recebida, recebendo três vezes mais “não curti” do que “curti”, além do principal comentário ser negativo. Logo, se a intenção da Gillette era realmente focar no mercado heterossexual, a reação já não era positiva.

Parece que a Gillette não aprendeu com sua primeira experiência. Resolveu tentar novamente e deu no que deu. Choveram comentários negativos, vários sites colocaram críticas fortes (como a do Kibe Loco) e aparentemente nada poderia ser pior.

Sim, poderia. Nas fotos feitas para divulgação da peça de propaganda da nova campanha, é possível ver a “cordinha” do absorvente de uma das gêmeas, devidamente notada pelos críticos raivosos e sedentos por vingança. As imagens correram a internet, jogando mais lama para cima da Gillette.

cordinha-ob-gillette

Houve uma sequência de erros da empresa e daqueles que gerenciam a marca. Ao que tudo indica, não foi feita uma pesquisa adequada com o público-alvo. Se a Gillette queria atingir o público masculino heterossexual, errou redondamente. Qual homem pensa em se depilar para atrair mulheres? Quais mulheres querem que seus maridos e namorados se depilem para se tornarem mais bonitos? A empresa não se preocupou em ter estas respostas, em quantificá-las ou em medir o risco de uma campanha com este enfoque (e de se expor de forma perigosa para seu público-alvo). Caso o tivesse feito, provavelmente receberia uma enxurrada de comentários negativos e não teria feito a veiculação ou teria mudado totalmente sua orientação.

Imagine agora o prejuízo que a Gillette teve. Contratar pessoas famosas, a peso de ouro, como Psy, Sabrina Sato e as Gêmeas, não é pouca coisa. O custo da campanha, com certeza, foi milionário. Porém, é seguro que o orçamento para pesquisa foi perto de zero ou inexistente. Será que a Gillette poderá aprender com isso? Quem sabe com menos de R$ 200 mil ela pudesse ter mudado o enfoque e ter sido bem sucedida; mas agora terá que amargar um resultado para lá de negativo.

Enfim, é extremamente importante para as marcas gerenciarem sua exposição, seu brand equity e a consistência na comunicação. Não é recomendável atentar contra os seus valores e seu público-alvo, o que pode custar muito caro, virando piada pela internet.

velho transformado em novo

Por , 10 de julho de 2012 23:57

Produtos e marcas, assim como pessoas, têm que constantemente se renovar e se recriar para não envelhecerem e caírem no lugar comum. Caso não inovem, podem acabar associados a algo ultrapassado ou visto como indesejável, com graves consequências para seu desempenho e sua sobrevivência futura. Estar atento para esta situação é dever de qualquer gestor de marketing, cuidando para que suas marcas e produtos estejam constantemente em movimento e em sintonia com seu mercado consumidor.

Neste contexto, é interessante analisar dois segmentos do mercado automotivo. Recentemente, os modelos médios compactos, os chamados hatchs, vêm ganhando cada vez mais espaço e preferência dos consumidores. Representam o novo, moderno, esportivo, além de praticidade e força. No lado oposto, encontram-se os sedans, que acabaram perdendo espaço, sendo associados com um público mais velho, com menos esportividade e design, o que não é nada positivo para as montadoras. O que vem ocorrendo é um processo de envelhecimento do produto sedan, independente da marca ou empresa que o vende. No passado, outros sedans famosos já foram objetos de desejo, como Alpha Romeo, Opala, Monza e Karmann Ghia, somente para citar alguns.

Cientes desta situação, as montadoras têm se esforçado para tentar mudar a percepção dos consumidores e com isso alavancar suas vendas. Nem sempre, porém, com a estratégia de marketing adequada. Como exemplo, cito duas campanhas que seguiram o mesmo objetivo: provar para o consumidor que o sedan é um produto renovado e que vale a pena consumi-lo.

sentravslancer

A primeira é a famosa campanha do Nissan Sentra, veiculada em 2007. Criou-se para a propaganda uma banda virtual chamada “The Uncles” que cantava uma música intitulada “Será que é pra mim?”, na qual ficou muito conhecido seu refrão: “não tem cara de tiozão”. Tratava-se de uma brincadeira bem-humorada com as malfadadas referências aos sedans. Apesar de bem intencionada, a ideia da Nissan não poderia ser mais perigosa. Associar o carro deliberadamente com o que se quer dissociar não pareceu uma estratégia sensata. O que ocorreu é que, mesmo aqueles que nunca haviam pensado que o carro pudesse ser pensado para um público mais velho, acabaram fazendo esta associação. Além disso, os potenciais compradores também provavelmente se sentiram desencorajados a comprar um Nissan, já que não gostariam justamente de serem considerados como “tiozões”. Ou seja, a montadora japonesa conseguiu a proeza de desagradar a gregos e troianos, piorando ainda mais a imagem do produto sedan.

Confira a propaganda da Nissan:

O segundo exemplo de campanha é o de outra fabricante de automóveis japonesa, a Mitsubishi. Diferentemente de sua concorrente, mas com o mesmo desafio, a montadora acabou criando uma propaganda completamente original para tentar quebrar a má reputação que os sedans têm no mercado. Seu comercial, veiculado neste ano de 2012, apelou para um filme muito visto e conhecido do público consumidor-alvo do carro, na faixa entre os 30 e 45 anos: “De Volta para o Futuro”. Quem não se lembra do carro Delorean (sim, um sedan!) e de sua capacidade de viajar pelo tempo? A ideia de associar o lançamento da Mitsubishi com o carro de McFly foi muito bem executada e traz à tona vários sentimentos de todos aqueles que assistiram o filme e que algum dia já desejaram ter seu próprio Delorean. Na propaganda, o carro de “De Volta para o Futuro” se transforma num Mitsubishi Lancer, mostrando metaforicamente que este é uma evolução daquele. Melhor ainda é, por fim, ver o cachorro de Dr. Brown transformado num robô e disparando a frase: “Eu acho que vocês ainda não estão preparados para isso, mas seus filhos vão adorar”, parafraseando uma fala de McFly do filme, na cena na qual faz um solo de guitarra em 1955, deixando atônita a plateia. Simples e direta, a mensagem é muito consistente e quebra totalmente as associações ruins com o produto sedan.

Confira a propaganda da Mitsubishi:

É possível, portanto, renovar e reposicionar marcas e produtos. Este é um desafio constante de marketing e das empresas. Deixar que envelheçam causa problemas consideráveis e acabam por exigir um esforço muito maior para que os consumidores passem novamente a considerar sua compra. Não se pode contudo, desperdiçar oportunidades e criar mensagens que não ajudem, mas sim atrapalhem a resolver este desafio. A Mitsubishi, ao contrário da Nissan, com certeza ganhou esta batalha.

logos têm significado?

Por , 8 de junho de 2012 21:42

Parte importante de uma estratégia de branding, o logo é um símbolo gráfico que mostra e identifica para o consumidor que um produto ou serviço foi feito, pensado e idealizado por uma determinada marca. Sem sua existência, seria impossível fazer distinção entre commodities (ou produtos genéricos) e aqueles com marca.

Muitas vezes, a logotipia não está atrelada ao segmento, categoria ou público-alvo que se quer atingir, tratando-se apenas de um desenho, um ícone identificável. Porém, existem diversos exemplos de logos que remetem ao produto ou serviço ao qual a marca representa, o que enriquece ainda mais seu significado. É claro que um logo, sem uma estratégia de branding, é apenas um desenho sem sentido, não comunicando ou significando nada para quem o vê. No entanto, fazer com que se remeta a algo, mais do que simplesmente um desenho, é bastante recomendável e pode ajudar numa melhor memorização e identificação por parte dos consumidores.

Vários exemplos de logos bem executados podem ser vistos em todo tipo de empresa:

net_logo2

A NET, por exemplo, aproveitou naturalmente o “E”do seu nome para espichá-lo e transformá-lo num cabo.

net_logo

A FIAT, por sua vez, também foi inteligente quando lançou o Punto. Para dar sensação de movimento, deixou as letras levemente em itálico e, além disso, modificou o “P” para que aludisse a uma pessoa dirigindo (sendo o “ponto” a cabeça do motorista).

punto_logo

punto_logo 2

O Posto Ale foi criativo ao colocar uma referência implícita no seu logo de uma torre de petróleo:

logo_ale

logo_ale2

A Kodak, que está com sérias dificuldades financeiras, tinha originalmente um logo que remetia a uma câmera tirando foto, numa alusão a um feixe de luz que sai do plano esquerdo para o direito.

logo_kodak2

logo_kodak

Mesmo filmes de ação também têm uma preocupação com sua imagem e logotipia. O sucesso de 007 se deve muito a uma fórmula bem concebida, com posicionamento definido e, é claro, um logo que remete a uma pistola.

007_logo

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Muitas empresas que vendem produtos pela internet têm a vantagem de oferecer uma grande variedade de produtos, sem ter que despender com lojas físicas ou gôndolas. A Amazon se propõe a ser uma grande vendedora de livros, música, eletrônicos e muito mais. Para deixar sua missão mais clara, por que não a colocar no seu próprio logo?

amazon-logo

logo-amazon2

A deusa grega da vitória, Niké, que era alada, serviu de inspiração para a marca Nike e também para o seu símbolo amplamente famoso, o Swoosh, que nada mais é do que uma representação de uma asa.

logo_nikelogo_nike2

As sopas Vono, da Ajinomoto, discretamente colocam um detalhe no seu logotipo, que com certeza é pouco percebido pelas pessoas. Se reparar bem, poderá ver que há a fumacinha de uma sopa quente, bem acima do primeiro “O”.

logo_vonologo_vono 2

Feita por meio de um concurso público em 1968, a logomarca do Banco do Brasil é simplesmente genial. Tratam-se de dois “B” entrelaçados que formam um cifrão. Não podia ser mais perfeito!

logo_banco_do_brasil

Como fazer um fast food ter seu logo remetendo ao produto? O Burger King conseguiu passar a mensagem de uma forma simples e direta: simplesmente colocou suas palavras no meio de dois pães de hambúrguer!

Burger_King_Logo

Burger_King_Logo

Enfim, não é obrigatório associar o logo com a característica do produto. No entanto, é interessante fazer tal analogia, já que pode se relevar uma forte identificação mental para os consumidores, ainda que inconsciente.

Branding em chocolates

Por , 5 de outubro de 2011 0:52

zChocolat2A francesa zChocolat criou um novo conceito de como vender chocolates: não é apenas mais uma chocolateria, mas uma experiência bastante bem pensada de branding, mostrando que é possível aplicar o conceito para qualquer tipo de negócio.

Vendendo exclusivamente online, a empresa possui um site cuidadosamente feito e muito bem produzido, contendo imagens que saltam aos olhos, assim como cores e fontes que remetem ao seu caráter exclusivo. Os chocolates são assinados por Pascal Caffet, considerado um dos melhores conhecedores do assunto, que criou 15 receitas variadas para todos os gostos: chocolate praliné, com maracujá,  amargo ou até com rapsberry (entre vários outros). Cada chocolate é numerado, remetendo a uma das receitas, podendo-se comprar kits com apenas um dos tipos ou com vários deles.zChocolat1

A experiência com o site é bastante interessante, principalmente pela sua flexibilidade. Pode-se comprar escolhendo uma ocasião (namorados, por exemplo), por caixas já pré-definidas ou fazer uma personalização completa. A facilidade com que se monta a seleção dos chocolates é bastante grande, assim como as opções para deixar a compra personalizada. É possível, por exemplo, gravar o nome da pessoa que se quer presentear na caixa de chocolate, escolher a mensagem do cartão, a cor do papel de embrulho, entre várias outras opções.

Além disso, as fotos e descrições dos chocolates são de dar água na boca, não se sabendo qual deles que se deve escolher. O cuidado com que se tomou para desenhar o site impressiona, principalmente pela qualidade das imagens. Um dos poucos poréns, no entanto, é o fato do site abrir outras páginas cada vez que se clica num link diferente (algo que é muito fácil de se resolver, o que não representa um erro grave de forma alguma).

zChocolat3E não só o design e navegabilidade do site que são bem-feitos (o que não seria suficiente, convenhamos), mas também a experiência da compra em si. Ao se fazer a ordem de compra, a zChocolat avisa sobre o prazo de entrega e de quando o pedido estará pronto para ser enviado. Há um zelo especial com a remessa, sendo que a empresa envia diversos emails com o status atualizado da sua compra.

Eu mesmo pude testar o site, já que fiz um pedido que deveria ser entregue no exterior. A minha experiência foi bastante positiva: enviaram meu pedido antes do prazo estimado (aqui houve um bom gerenciamento de expectativa do cliente, já que não me foi prometida uma data muito curta) e a entrega também foi feita antes da data estipulada. E, ainda por cima, eu havia feito uma personalização, o que, em teoria, tornaria o processo mais complexo.

Como pontos negativos da zChocolat, o principal deles é a relação custo-benefício. Por se tratar de chocolates de luxo, os preços são bastante elevados e cobrados em euros. Mas este para mim não foi o pior defeito. O que mais me chamou a atenção foi ver o tamanho da caixa e dos chocolates quando me deparei com eles ao vivo. Minha impressão é que fossem grandes, o que justificaria o preço que havia pagado. Porém, esta foi minha maior decepção, já que eram pequenos e delicados, o que não se tem a devida percepção ao se fazer a compra pelo site.

Mesmo assim, acredito que a experiência como um todo é válida e que a zChocolat faz um ótimo trabalho de marketing e de branding, tornando única a interação com o consumidor. Em suma, pode ser uma boa alternativa para um presente para uma ocasião especial, principalmente quando se quer impressionar.

Enciclopédia do Tênis

Por , 10 de julho de 2011 1:01

sneakerpedia

Quer um lugar para consultar todo o tipo de tênis que já foi colocado à venda algum dia? A Foot Locker, loja americana de sapatos, lançou o site Sneakerpedia, que tem como objetivo catalogar todo e qualquer tipo de tênis já lançado e vendido no mundo.

Com uma base colaborativa, no estilo do Wikipedia, a Sneakerpedia tem a mesma lógica: basta ao usuário fazer o upload de uma foto do seu tênis, colocar informações de cores, tags, fabricante, materiais etc. para participar do site.

A Sneakerpedia é bastante interativa e tem um visual moderno e clean, o que facilita a visualização dos inúmeros modelos de tênis disponíveis. A busca também é bastante completa, podendo-se procurar um tênis pelo esporte (basquete, corrida etc.), marca, material, cor ou palavra-chave. Ainda, é possível escolher um usuário e verificar todos os modelos que ele recomenda.

A Foot Locker acerta em colocar o site no ar, claramente como uma estratégia de branding, ajudando a divulgar sua marca para os seus consumidores mais apaixonados por tênis. Além disso, também pode recolher informações preciosas sobre hábitos de consumo, comportamento do consumidor, preferências e muito mais.

Confira o vídeo sobre o site:

branding em restaurante

Por , 8 de maio de 2011 22:12

Branding é algo que deve ser encarado com seriedade pelas empresas e servir como direcionamento de tudo que está relacionado com a marca.  Não é apenas um conceito teórico e distante, pouco aplicado na prática.

No caso de um restaurante, por exemplo, deverá estar presente em cada detalhe, desde a decoração até o atendimento, modo de falar dos garçons, cardápio, escolha dos vinhos, decoração, cores e todo o tipo de contato com o cliente. Pode parecer exagero, mas cada vírgula conta, devendo-se ao máximo explorar as nuâncias para dar vida a uma marca e torná-la uma experiência inesquecível, tangibilizando seu conceito para os consumidores.

Com esta ideia na cabeça, a rede de restaurantes japonesa Diamond Dining contratou a empresa de design (também japonesa) Fantastic Design Works Co. para  ambientar e conceitualizar um de seus restaurantes. Segundo a Diamond Dining, a filosofia de sua empresa é encantar os clientes, se esforçando ao máximo pela sua satisfação, incorporando-a no design interior, no serviço e na cozinha.

O resultado foi a criação de um restaurante baseado no filme Alice no País das Maravilhas, com diversos ambientes que lembram cenários de teatro, cenas de filme ou uma ambientação fantástica esperando para ser descoberta, como num sonho de criança. Livros gigantes, piso xadrez, cores fortes, mesa em formato de coração e lustre de cartas de baralho são algumas das decorações extraordinárias que o cliente se depara ao explorar o ambiente.

A Diamond Dining, com isso, tornou o branding uma realidade, diferenciando-se de seus concorrentes e criando uma experiência memorável para o consumidor. Banzai!

Confira as fotos do restaurante:

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Branding no banheiro

Por , 10 de fevereiro de 2011 22:52

A Sega resolveu inovar radicalmente ao desenvolver uma linha de games totalmente inusitada, chamada Toylets. Em banheiros públicos no Japão, a empresa instalou novos videogames que permitem às pessoas se divertirem e esvaziarem a bexiga ao mesmo tempo.

sega_toylet2Os jogos são bastante criativos. Em um deles, quanto maior for a força de seu jato de urina, mais rapidamente uma parede com grafite é limpa. Em outro, compete-se em um ringue de sumô contra o jogador anterior. A lógica é a mesma: se a força de sua urina for maior do que a do seu oponente, ganha-se a partida, jogando-o para fora da tela.

Nem toda marca poderia ter a flexibilidade para fazer ativação de seus produtos em lugares inusitados. No caso da Sega, no entanto, este tipo de ação poderá ser bem vista por seus consumidores, já que a maioria deles é jovem e com atitude irreverente, o que está de acordo com a mensagem da marca. Além disso, a empresa acaba gerando boca-a-boca entre as pessoas e exposição gratuita nos jornais, o que é positivo para a estratégia de branding da Sega.

sega_toylet1Mesmo assim, este tipo de ativação da marca deve ser avaliado criteriosamente antes de ser aplicado fora do Japão. Para algumas culturas poderá soar como algo bizarro e de mal gosto, ao ponto que em outros países, como no caso do Brasil, poderá se mostrar como algo bastante divertido e inesperado.

Concluindo, a Sega se mostrou muito criativa e inovadora, energizando sua marca com o lançamento do Toylets, mas deverá avaliar com cuidado sua estratégia de expansão.


Cerveja fora do lugar-comum

Por , 16 de agosto de 2010 23:47

A cerveja argentina Andes, parte do grupo Quilmes (que por sua vez é controlado pela Inbev), resolveu usar da irreverência e do humor para comunicar seu posicionamento.

Nas peças de comunicação mais recentes, a amizade e o relacionamento são o tema central, mostrados de forma bem-humorada por meio do slogan:  “um amigo é um psicólogo, mas sem título”.

A ideia da campanha foi mostrar diversos problemas de relacionamento de uma forma irreverente, primeiro com uma análise de um psicólogo e, depois, com um conselho de um amigo no bar. Situações como infidelidade, sexo, casamento, entre outros, são tratados com muito bom humor.

Andes2Andes1

A Andes, no final, assina sua marca com a frase: “Es como somos”. Ou seja, a cerveja quer ser identificada como a “cerveja dos amigos”, próxima ao seu público-alvo e sem complicações. Lembrou de alguma coisa?

O que lembra é o posicionamento que a Bavaria tinha no passado, antes da Ambev ter sido obrigada a vendê-la para a Kaiser. É provável que tenham decidido aproveitar o antigo posicionamento da Bavaria e aplicá-lo a Andes. Porém, com uma comunicação mais solta e bem-humorada.

Mais recentemente, a Andes inovou ao colocar no ar uma outra campanha, a do Teletransporter. Uma ideia realmente genial, que traduz corretamente o posicionamento da marca. Trata-se de um “aparelho de teletransporte”, que nada mais é do que uma cabine com isolamento acústico para tirar os homens de situações embaraçosas – quando suas namoradas ligam para eles exatamente na hora que estão no bar ou na balada.

Dentro desta cabine, é possível apertar alguns botões e recriar sons de um hospital, supermercado, bebê chorando, entre várias opções. E o melhor de tudo: o aparelho realmente existe e foi colocado em diversos bares em Mendoza, na Argentina. Agora não tem mais por que se preocupar com broncas, basta se teletransportar.

Enfim, a Andes, com sua comunicação, consegue de forma clara e inovadora se posicionar no mercado, diferenciando-se do lugar-comum que é, muitas vezes, as propagandas de cerveja.

Confiram os comerciais da Andes do Teletransporter:

Mac vs PC

Por , 24 de junho de 2010 0:00

mac

vs

windows

De uma forma bem humorada, a Apple da Inglaterra fez uma série de comerciais para mostrar sua superioridade versus os PCs.

Nos vídeos, os dois computadores são personificados, sendo que o PC é mostrado como um gordinho de terno e gravata, enquanto o Mac é mais descolado e informal, de jeans e camiseta, uma bela forma de mostrar o espírito por trás das duas tecnologias.

Na realidade, a Apple está aproveitando para alfinetar a Microsoft, a principal empresa que provê softwares para PCs, já que nos comerciais também são abordados diversos aspectos relacionados ao Windows (como segurança, vírus, dificuldade de uso, drivers etc.).

A única coisa que eles não contam é que o preço do Mac não tem graça nenhuma…

Confiram:



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