Sustentabilidade não é modismo, é uma questão de sobrevivência

Sustentabilidade não é modismo, é uma questão de sobrevivência

Se voltássemos à década de 1970 e perguntássemos a qualquer pessoa sobre ecologia, sustentabilidade ou consumo consciente, provavelmente ouviríamos que estes temas seriam passageiros e que não impactariam muito a forma como compramos ou nos relacionamos.

Na época, não havia uma preocupação muito clara com as conseqüências das ações humanas sobre o meio-ambiente. Também não havia um comprometimento explícito das empresas com o tema. A população, portanto, não se dava conta dos possíveis estragos que gerações futuras sentiriam na pele. As discussões sobre o tema de sustentabilidade estão cada vez mais presentes no dia-a-dia do cidadão comum, dos governantes e empresários e não pode mais ser esquecido ou negligenciado.

Ser sustentável e pensar desta forma não é mais um assunto exclusivo de ativistas e ecologistas, mas de todos nós. Ao longo deste artigo, mostrarei como o conceito evoluiu ao longo do tempo, como as empresas – pequenas ou grandes – estão lidando com o assunto e o que a população pensa sobre tudo isso.

Conferência de Estocolmo

Em 1972, foi organizada pela ONU a primeira conferência sobre o meio-ambiente realizada em Estocolmo, na Suécia. O objetivo era discutir os efeitos negativos do desenvolvimento humano, aumentando sua visibilidade e identificando problemas ambientais que necessitassem de uma mobilização internacional conjunta.

conferencia_estocolmoAlguns líderes globais participaram da conferência, como Indira Gandhi, assim como a China, que se tornara membro do ONU pouco antes disso. Por outro lado, os países do bloco soviético não foram a Estocolmo, mas o resultado final não foi afetado porque a União Soviética envolveu-se ativamente no processo preparatório. Outros países, principalmente o Brasil e a Argélia, viam com desconfiança a conferência, argumentando que era uma forma de distração para as reais necessidades de desenvolvimento dos países mais pobres.

Um dos resultados importantes atingidos na conferência foi a criação de ministérios do meio-ambiente em mais de 100 países e também o início da criação de organizações não governamentais ligadas à causa ambiental. No entanto, os efeitos práticos da discussão não puderam ser sentidos de imediato, já que na época não havia ainda um entendimento completo sobre os impactos decorrentes do consumo desenfreado. Além disso, havia também uma contradição entre os que consideravam que só poderia haver desenvolvimento com destruição e aqueles que defendiam o meio-ambiente, o que ajudava a colocar os assuntos da conferência em segundo plano.

A partir dos anos 1980, a consciência ambiental começou a ganhar mais importância, ainda mais porque os problemas ambientais foram aparecendo com mais freqüência e acabaram se tornando mais graves. Um exemplo foi o surgimento do buraco na camada de ozônio, descoberto em 1985 por cientistas ingleses. A principal causa para este fenômeno foi a utilização de clorofluorcarbono (CFC) em diversos produtos (leia mais sobre CFC – em inglês), como sistemas de refrigeração e aerossóis. Em 1987, foi assinado o Protocolo de Montreal que estabeleceu prazos e medidas rigorosas para a eliminação total dos componentes químicos que estavam causando o problema.

Comissão Brundtland

Também em 1987 foram publicadas as conclusões da Comissão Brundtland, formada pela ONU em 1983 e encabeçada pela primeira-ministra da Noruega. O objetivo da comissão era avaliar a crescente deterioração do meio-ambiente e seu impacto econômico e social. Os problemas enfrentados foram considerados de interesse comum de todas as nações, passando a ser globais, e não mais restritos às políticas de cada um dos países.

A comissão utilizou pela primeira vez o termo “desenvolvimento sustentável”, no qual enfatizava que o crescimento econômico e a satisfação das necessidades atuais não deveriam colocar em risco as de futuras gerações. Algumas das suas principais conclusões estavam ligadas a temas como economia de energia, crescimento populacional, conservação dos recursos naturais, maior eficiência na produção industrial, proteção dos ecossistemas comuns e compartilhados, entre outros (leia mais sobre a Comissão Brundtland – em inglês).

Rio 1992

rio_92A partir das conclusões da Comissão Brundtland, foi acertado pela ONU a realização de outra conferência em 1992, desta vez no Rio de Janeiro (que ficou conhecida como Eco-92). O Brasil, que antes havia adotado uma postura cética com relação à proteção do meio-ambiente, mudou radicalmente de posição, passando a atuar mais fortemente na questão ambiental. Por outro lado, os Estados Unidos, que antes haviam tomado a liderança do processo, apresentaram uma postura mais defensiva e pouco progressista.

Ao contrário de Estocolmo, a Eco-92 contou com a participação maciça dos chefes-de-estado, atraindo 120 deles para as discussões sobre sustentabilidade. A conferência avançou nas discussões produzindo três importantes documentos:

Declaração do Rio: conjunto de 27 princípios básicos pautados na cooperação internacional entre as nações e no reconhecimento da natureza interdependente da Terra (leia a declaração completa).

Agenda 21: programa detalhado de ações a ser adotado por cada um dos países, com foco no desenvolvimento sustentável do meio-ambiente, da economia e da sociedade (leia no site do Ministério do Meio-Ambiente e leia o documento completo – em inglês).

Declaração de Princípios sobre o Uso das Florestas: primeiro documento consensual sobre o uso das florestas, com o objetivo de administrar seus recursos de forma sustentável (leia a declaração completa – em inglês).

Leia Mais: The Road from Stockholm to Johannesburg – Lars-Göran Engfeldt (em inglês)

Protocolo de Kyoto

Em 1997, foi realizada outra conferência organizada pela ONU, tendo como tema as mudanças climáticas. Juntamente com a conferência foram estabelecidas metas de redução da emissão de gases que causam o efeito estufa.

Este conjunto de metas ficou conhecido como Protocolo de Kyoto, que colocou objetivos mais rígidos para os países desenvolvidos, reconhecendo que são os maiores causadores do efeito estufa. A adoção do protocolo ficou sujeita a aprovação de cada um dos países e podia ser feita a qualquer momento.

Praticamente todos os países assinaram e ratificaram o protocolo, com destaque negativo para os Estados Unidos que foram o único país desenvolvido que não demonstraram intenção de adotá-lo. Sua posição acabou por isolá-lo mundialmente, ainda mais depois da adesão da Austrália ao protocolo em 2007, já que ela era aliada dos americanos nesta questão. Apenas nove países, além dos EUA, não adotaram o tratado, entre eles: Afeganistão, Chade, Tajiquistão e Turquia (leia mais sobre o Protocolo de Kyoto na Wikipedia).

Para atingir as metas propostas no protocolo, ficou definido que os países signatários poderiam se utilizar de alguns mecanismos:

Mercado de carbono: cada país tem uma quantidade permitida de emissões a ser feita, que é expressa em unidades. O protocolo permite aos países que têm unidades sobrando, ou seja, não utilizadas, vendê-las àqueles que estão acima de suas metas. Como o dióxido de carbono é o principal gás causador do efeito estufa, este mecanismo ficou conhecido como o “mercado de carbono”.

Mecanismo de desenvolvimento limpo: este mecanismo permite aos países desenvolvidos e, portanto, com metas mais rígidas, investirem em projetos de redução de emissões em países em desenvolvimento. Estes projetos acabam gerando Certificados de Redução de Emissões (CER – sigla em inglês) que podem ser vendidos ou comercializados, podendo ser utilizados pelos países para reduzir parte de suas metas de redução de poluentes.

Implantação conjunta: permite a um país com metas de redução de emissões realizar um projeto em outro país que também tenha estes objetivos (que são os países do Anexo I do protocolo). Da mesma forma como o mecanismo de desenvolvimento limpo, a implantação conjunta gera unidades de redução conjunta que podem ser contabilizadas para se atingir as metas do protocolo.

Leia mais na página da ONU sobre o Protocolo de Kyoto

Kyoto_Protocol_participation_map_2009

Participação dos países no Protocolo de Kyoto

Legenda – Posição de cada país frente ao Protocolo de Kyoto:

  • Em verde: países que assinaram e ratificaram o protocolo
  • Em amarelo: países que assinaram, mas ainda não cumpriram o protocolo
  • Em azul: países que não ratificaram o protocolo
  • Em vermelho: países que ainda não assumiram uma posição.

Fonte: Wikipedia

Johanesburgo 2002

Após a bem-sucedida implantação do Protocolo de Kyoto, a ONU decidiu realizar outra conferência, desta vez na África do Sul, em Joanesburgo, que ficou conhecida também como Rio +10. O objetivo era firmar um compromisso internacional com definição de metas quantificáveis para implantar melhor a Agenda 21.

johanesburgo_2002No entanto, os avanços foram poucos e sem medidas mais concretas e prazos para sua implantação, principalmente devido à atuação dos EUA. O Brasil e a União Européia haviam proposto uma meta global de 10% de utilização de fontes de energia renováveis. Porém, os americanos acabaram se aliando com países árabes para bloquear a iniciativa, que acabou não constando do texto final. O próprio presidente Bush não participou da conferência, demonstrando que os EUA não estavam muito preocupados com avanços na preservação ambiental. Ao final do evento, houve protestos de diversas ONGs e dos participantes, principalmente contra os americanos.

Iniciativas recentes

Em 2006, foi lançado um documentário chamado “Uma Verdade Incoveniente” (An Incovenient Truth veja o site oficial em inglês) apresentado pelo ex-vice presidente dos EUA, Al Gore. O filme alertava para a severidade dos problemas climáticos, tendo o objetivo de educar as pessoas e também fazer com que elas se sentissem parte do problema e agissem de alguma forma para mudar seu comportamento. Como parte desta iniciativa, foi criado também o site We Can Solve It (Nós podemos resolver) em referência à crise climática. O objetivo do site foi criar um movimento para exercer pressão política para que o problema ambiental do planeta seja resolvido. Uma das metas propostas é que as fontes de energia nos EUA passem a ser 100% renováveis em dez anos.

story_of_stuffOutra iniciativa recente foi lançada em 2007 por Annie Leonard, chamada The Story of Stuff (A História das Coisas). Trata-se de um vídeo de 20 minutos sobre a sociedade de consumo, uma animação que conta com a própria Leonard como narradora. Nela, são analisados os impactos sociais e ambientais da extração, produção, distribuição, consumo e tratamento de lixo. O site também levanta diversos fatos para chamar a atenção da opinião pública e principalmente para influenciar o governo norte-americano, como por exemplo:

“Os EUA representam apenas 5% da população mundial, mas consomem 30% dos recursos mundiais e produzem 30% do lixo do planeta.”

“Se todos consumissem no mesmo patamar que os americanos, seriam necessários entre três a cinco planetas para dar conta do recado.”

“Nos EUA, as pessoas gastam entre três e quatro vezes mais tempo fazendo compras do que na Europa.”

“40% dos rios norte-americanos se tornaram impróprios para consumo.”

Leia a lista completa – em inglês

Veja o vídeo com dublagem em português

 Pesquisas sobre clima

A evolução do debate público dos Governos e dos ativistas em torno da questão ambiental, desde a Conferência de Estocolmo até o Protocolo de Kyoto, está ligada a uma crescente preocupação da população mundial, ainda mais depois de grandes desastres naturais, como o furacão Katrina, em 2005.

Sensível a este tema e com o objetivo de medir a opinião e a atitude dos diferentes países com relação às mudanças climáticas, a BBC e o grupo Synovate realizaram em 2008 sua segunda pesquisa global sobre clima (a primeira foi em 2007). O levantamento foi feito em 22 países espalhados em seis continentes.

De 2007 para 2008 houve um aumento significativo da preocupação global com o tema, principalmente nos EUA, onde 80% se consideraram preocupados neste ano contra 57% em 2007. No mundo, houve um aumento de 68% para 72%. Os espanhóis e os brasileiros são os povos mais preocupados, com 88% e 86% respectivamente.

Em praticamente todos os países, as pessoas acreditam que seja responsabilidade dos cidadãos comuns mudar seu comportamento para enfrentar os problemas climáticos. Quase metade dos pesquisados (47%) responderam que as principais causas para estes problemas são a ação humana e a poluição. Quando perguntados sobre qual país consideravam como o maior culpado pelas mudanças climáticas, 61% responderam que são os EUA e 18% a China.

Esta pesquisa mostra o alto grau de interesse e preocupação da população mundial com os problemas do meio-ambiente. No caso do Brasil, esta preocupação é ainda mais acentuada, já que o país é o segundo do mundo mais interessado na questão (em 2007, foi o primeiro).

Leia a reportagem completa da BBC: sobre a pesquisa de 2008 (em inglês) e sobre a pesquisa de 2007.

Sustentabilidade e as empresas

Com a mudança de comportamento dos cidadãos e do governo com relação à sustentabilidade, as empresas têm sido cada vez mais cobradas de soluções que não sejam prejudiciais ao meio-ambiente e que sejam sustentáveis no longo prazo.

Não basta mais, portanto, ter somente os melhores preços ou vender produtos de qualidade. Os consumidores agora exigem e cobram intensamente as corporações para que elas apresentem programas de sustentabilidade e para que tenham uma cadeia que seja neutra em carbono (seguindo o conceito lançado pelo Protocolo de Kyoto).

Em 2005 foi criado um ranking das 100 empresas mais sustentáveis do mundo. A cada ano a lista é atualizada e divulgada no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. O objetivo da Corporate Knights e da Innovest Strategic Value Advisors, criadoras da lista, é chamar a atenção para as empresas mais preocupadas com a sustentabilidade. A lista de 2008 conta com alguns nomes como: Coca-Cola, Basf, Nestlé, HP, Kodak, Intel, Nokia, Accor e Toyota. Veja a lista completa – em inglês.

No Brasil, seguindo a mesma tendência, foram criados diversos prêmios para as empresas mais sustentáveis, o que não existia no passado recente:

Prêmio Inovação em Sustentabilidade (Instituto Ethos juntamente com a USAID – Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional): prêmio voltado para micro e pequenas empresas, ONGs, universidades, institutos de pesquisa entre outros. Premia as iniciativas mais inovadoras em sustentabilidade. O valor do prêmio é utilizado para o aperfeiçoamento e/ou ganho de escala da inovação.

Prêmio von Marthius de Sustentabilidade (Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha): premia ações de grandes corporações e pequenas empresas, voltadas ao desenvolvimento sustentado de diversas comunidades, que podem ser utilizadas como exemplo aplicável a diversas regiões do Brasil.

Prêmio Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo (Fundação Getulio Vargas): tem o objetivo de reconhecer e premiar iniciativas de responsabilidade social e sustentabilidade no varejo. O prêmio tem as seguintes categorias: microempresa, pequena empresa, média empresa, grande empresa, shopping center e entidade varejista.

Prêmio Mérito Ambiental (FIESP): tem como objetivo homenagear as empresas com maior destaque na implantação de projeto ambiental com resultado significativo para a melhoria da qualidade do meio-ambiente.

Além destes prêmios, a revista Exame publica anualmente o Guia Exame de Sustentabilidade em parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces), da Fundação Getúlio Vargas. O objetivo é avaliar o desempenho das empresas com relação a três dimensões: ambiental, econômico-financeira e social. Além de mostrar os resultados das corporações, o guia também faz o ranking das 20 empresas-modelo em sustentabilidade (leia a reportagem sobre o guia de 2007).

Projetos nas empresas

Além de patrocinarem e participarem de prêmios de sustentabilidade, diversas empresas criaram programas próprios, visando sensibilizar seus consumidores, funcionários e acionistas:

Wal-Mart: o gigante varejista, uma das maiores empresas do mundo em faturamento, decidiu adotar projetos em escala global com os seguintes objetivos: usar 100% da sua energia a partir de fontes renováveis, não criar nenhum tipo de resíduo ou lixo e vender produtos que sejam sustentáveis. Uma das iniciativas adotada foi vender sacolas reutilizáveis para reduzir a quantidade de plástico usada (leia mais – em inglês).

Braskem: a empresa tem diversos programas voltados para segurança, saúde e meio-ambiente. Foi a primeira petroquímica brasileira a assinar a Declaração Internacional de Produção mais Limpa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Coca-Cola: por meio do Instituto Coca-Cola Brasil, a empresa promove diversos projetos. O “Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias” é um deles, com o objetivo de conscientizar a população sobre o problema do lixo no mar. Outro projeto é o “Reciclou, Ganhou” no qual a empresa estimula a reciclagem de embalagens PET, latas de aço, alumínio, entre outros.

Banco Real: foi considerado pelo Financial Times como o banco mais sustentável do mundo em 2008. A instituição financeira possui o Fundo Ethical, que investe em empresas sustentáveis, o CDB Sustentável que apóia – por meio de linhas de crédito – entidades ligadas à saúde e educação e o Fundo Floresta Real, que permite ao investidor receber o valor financeiro dos créditos de carbono gerados pelo programa de reflorestamento da empresa.

Natura: a empresa de cosméticos desenvolve o Projeto Carbono Neutro desde 2007. Este projeto tem o objetivo de reduzir as emissões de gases que contribuem para o efeito estufa. A meta da empresa é reduzir 33% das emissões em relação a 2006. Outros projetos também são foco da Natura, como redução do consumo de água, uso de papel reciclado nas embalagens e valorização de comunidades locais.

Pequenas empresas e a sustentabilidade

Além das grandes corporações, as pequenas empresas também têm um papel fundamental nas questões ambientais. Não somente por exigências legais, mas principalmente pelo fato dos consumidores exigirem uma nova postura.

Ou seja, aqueles que se mostrarem como os mais preocupados com as questões ambientais poderão conquistar e fidelizar mais clientes, o que se tornará, com certeza, uma vantagem competitiva. Várias ações simples podem ser adotadas, como reciclagem, economia de energia, uso de energias renováveis (como a solar, por exemplo), consumo responsável de água, diminuição de resíduos de produção.

Algumas entidades estruturaram programas, incentivos e treinamentos para micro e pequenas empresas para abordar a questão da sustentabilidade. O SEBRAE, por exemplo, realiza em diversos estados o Programa de Gestão Ambiental que tem como objetivo incentivar boas práticas ambientais nas micro e pequenas empresas. O enfoque está relacionado ao ganho em lucratividade que pode ser alcançado diminuindo-se desperdícios. Além disso, o programa também visa capacitar os micro-empresários e fazer com que eles reposicionem seus negócios para que sejam mais sustentáveis e de acordo com normas internacionais (como o ISO 14.001).

O Instituto Ethos, por sua vez, criou o Programa Tear juntamente com o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento. O objetivo do programa é disseminar o conceito de responsabilidade social em pequenas e médias empresas que atuem nos seguintes segmentos da economia: petróleo e gás, energia elétrica, varejo, construção civil, mineração, siderurgia, e açúcar e álcool (leia mais na página do instituto).

O papel de cada um

Em resumo, existe um crescente interesse e preocupação da população mundial – e em especial do Brasil – com as questões ambientais e com o tema de sustentabilidade. Os governos, coordenados pela ONU, evoluíram nos últimos 30 anos fazendo iniciativas como as conferências de Estocolmo, do Rio e de Johanesburgo; além, é claro, do Protocolo de Kyoto. No entanto, ainda é pouco para resolver os problemas climáticos que têm que ser enfrentados para podermos continuar a viver todos juntos no mesmo planeta.

As empresas, por sua vez, também vêm evoluindo, criando projetos, vendendo produtos sustentáveis e estimulando a educação com relação a estes temas. Porém, também cabe a elas intensificar suas ações e a repensar sua cadeia produtiva, de distribuição e de venda para atender a um novo paradigma: o de um mundo finito e, portanto, que deve ser usado de forma sustentável. As pequenas empresas e os cidadãos comuns também têm que assumir seu papel e não dar as costas para o problema. Devem iniciar projetos de reciclagem, economia de energia ou diversos outros, não esperando que tudo será resolvido pelas grandes empresas ou pelo Estado.

Finalmente, a população mundial já se dá conta dos problemas do desenvolvimento desestruturado e demanda uma abordagem sustentável de todos, sejam eles Governos, empresas, acionistas ou cidadãos. Negligenciar esta questão é ficar na contra-mão da história e, com certeza, perder clientes, lucros e vendas.

Sobre o Autor

Antonio Pedro Alves é formado em administração pela FGV, com MBA em Marketing pela FIA-USP, além de diversas especializações, inclusive na HEC, na França. Atuou em diversas multinacionais, na venda direta, na indústria e no varejo, entre elas o Grupo Pão de Açúcar, Wal-Mart, Reckitt Benckiser e Avon. É executivo de marketing, palestrante e consultor.

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